09 janeiro 2018

A Salvia mais sedutora, resiliente e fotogénica do meu jardim.

 Sedutora, a mais sedutora de todas as plantas do jardim.
Instalou-se em frente do vidro da porta que dá para o exterior.
Via-a nascer, curiosa com o mistério guardado naquele botão quase, quase a desabrochar...

Ao longo das estações acompanho as metamorfoses da luz atravessando o que resta das flores
revelando pequenos cristais que se iluminam e cintilam nas manhãs de sol com luz oblíqua.


Faz-me companhia, obriga-me a levantar-me da cadeira do computador, agarrar na NiKon e deitar-me no chão, olhá-la de várias perspectivas.Click, click. A planta mais fotografada do meu jardim.


Desfolha-se descarada, devagar, uma pétala por dia, dependendo da brisa e fica ali suspensa deixando cair a pele velha. Temo pelo seu desaparecimento. Mas não, continua atravessando ventos e tempestades, estações quentes e frias.
Faz-me companhia esta princesa de cor indefinida entre o rosa e o lilás. E não tem nome?


 claro que tem, chama-se salva, qual delas não sei, são tantas, um dia destes vou perguntar-lhe ficar para ouvir a resposta. Oficinallis não é, elegans também não, hispanica ainda menos, a scalrea também é muito fotogénica mas as suas pétalas não tombam assim ....Também pouco me importa, sei que as folhas são cheirosas e que um dia destes irei fazer com elas uma infusão.







Gosto de a fotografar e tenho a certeza de que ela também gosta de ser fotografada, contemplada, ajeitada e acarinhada.Se ela soubesse como fica linda nas fotos. Um dia conto-lhe.



07 janeiro 2018

Promessa de Inverno em árvores despenteadas





O vento corria, despenteava árvores  
Elas riam, rugiam, rangiam
quebravam galhos
gargalhadas sonoras



assobios
contorciam ramos
desafiavam nuvens que
passavam
pretas
pesadas
a galope no céu
prometendo
chuva
neve
granizo
prometendo o inverno.



05 janeiro 2018

Árvores de areia, o título poético de uma foto premiada do Luís Quinta.


 Árvores são poemas de areia, frágeis e fugazes como a vida, como o tempo que nos ondula os dias que nos modula os sentidos, que nos sussurra aos ouvidos velhas canções de embalar.


 Árvores são abraços que se agigantam e se agitam e imploram.

Ondas de areia e plástico

pó de estrelas
 A matéria de que são feitas todas as coisas:tempo e pó de estrelas cintilando na impermanência das estações.

florestas de areia e sal

vestígios 

rainha da impermanência

https://notasdocampo.blogspot.pt/

16 julho 2017

A pele dos dias, das coisas e das palavras

 Na pele das palavras nascem pétalas
cruzam-se caminhos
crescem ideias
germinam pensamentos

Na pele das palavras
veludo silencioso
ondas acariciando a areia

Na pele das palavras
tempo veloz
cabelos brancos
rugas no rosto

A pele do rosto
o tempo das palavras
sem tempo

Veludo silencioso das ondas
Cabelos brancos do mar
sem tempo
Espuma sem palavras
Pele sem rosto

Flores efémeras
Tempo frágil
Cabelos brancos
Tempo de palavras sem rosto
Pétalas sem flores
Flores sem nome
nomes sem pele.
Vazio, silêncio e verão.
Caminhos que não se cruzam.