16 julho 2017

A pele dos dias, das coisas e das palavras

 Na pele das palavras nascem pétalas
cruzam-se caminhos
crescem ideias
germinam pensamentos

Na pele das palavras
veludo silencioso
ondas acariciando a areia

Na pele das palavras
tempo veloz
cabelos brancos
rugas no rosto

A pele do rosto
o tempo das palavras
sem tempo

Veludo silencioso das ondas
Cabelos brancos do mar
sem tempo
Espuma sem palavras
Pele sem rosto

Flores efémeras
Tempo frágil
Cabelos brancos
Tempo de palavras sem rosto
Pétalas sem flores
Flores sem nome
nomes sem pele.
Vazio, silêncio e verão.
Caminhos que não se cruzam.





07 novembro 2016

TEMPO VEGETAL OU LUZ MATINAL ENQUANTO O INVERNO NÃO CHEGA

A chuva vai deixando pequenas pérolas espalhadas no jardim, suspensas na brisa, nas tardes curtas, sorrateiras, emaranhadas, delicadas que nem palavras à espera da noite.


  Pérolas presas na teia do pensamento antes de ser palavra


Escorrem lentas, secas, acabadas, outonais, as sílabas da estação que se adivinha.
Recolhem-se e encolhem-se as palavras onde o inverno se aninha.


Enquanto não chegam os dias sem luz, as noites sem forma
o jardim disfruta da tranparência dos instantes em que fugaz e obliqua
 a mão morna da manhã acaricia os contornos do tempo vegetal.


05 setembro 2016

O SAL DO TEMPO


 Passo a passo piso o sal do tempo
enquanto o outono não chega


 A tarde liquida
desfaz-se em espuma e voos de gaivota

 Em mim a dança das ondas
no vai-vem dos dias quentes


Sombras, brisas e voos abrem caminhos na areia
piso, pouso, páro
páro
piso
pouso
Pés de espuma a caminho de casa






16 agosto 2016

Jardim de pérolas

Esta manhã acordei com o jardim transformado em poesia.
 Poesia de pérolas tecidas em teias de chuva.
 Poesia de fios de luz deslizando no ar,
 pousando leves e líquidos no verde ainda adormecido. (agosto 2015)